terça-feira, 19 de maio de 2015

Capítulo 77.

- Então, eu consegui uma nova chance? - Luan falou sorrindo. 
- Todo mundo merece uma nova chance, mas não me decepcione mais, Luan! 
- Eu não vou.. Eu prometo! 
- Não prometa, apenas fique comigo! 
- Eu fico.. Pra todo sempre. - sorriu e nós beijamos novamente. Eu estava me sentindo livre, era como se a felicidade voltasse a reinar dentro de mim e eu não queria que aquele sentimento de paz passasse nunca. O que era um beijo calmo, acabou se tornando um beijo feroz, um beijo com urgência. Eu puxava Luan para mim, como se ele fosse fugir de mim. O melhor era, ele não ia fugir. Afinal, ele estava ali, inteiramente, de corpo e alma pra mim. Só pra mim. Entrelacei minhas pernas em sua cintura e ele foi me deitando na cama que havia atrás de nós com calma. 
- Por vezes eu sentia teu cheiro.. - beijou meu pescoço. - Na sala.. - beijou meu ombro. - No quarto.. - beijou meu queixo. - Cozinha, varanda.. - beijou meu rosto. - No meu travesseiro. - parou e me olhou. - Não importa onde eu fosse, esse cheiro seu cheiro estava lá. Aí eu percebi que pra te esquecer eu levaria uma vida e meia.
- Eu não quero que você esqueça! Nunca! - falei e ele voltou a me beijar. Soltei um gemido baixo ao sentir seu toque em minha pele por debaixo da blusa. Era tão bom te-lo ali. Era tão bom ter a sensação de que o sentiria, e dessa vez por inteiro. Nossas roupas foram parar no chão, sem que eu percebesse. E sem pressa alguma, nos amamos como nunca. 
(...) 
Acordei com um peso sob meu corpo, sorri sem abrir os olhos só de lembrar da minha noite anterior. Continuei de olho fechado até sentir alguns beijinhos pelo meu rosto. 
- Que saudade de acordar assim.. - assumi. 
- Eu estava com saudade de tudo! De dormir, de acordar, de fazer amor.. Com você. - sussurrou em meu ouvido. 
- Bobo! - sorri abrindo os olhos e o encarando. - Bom dia! 
- Bom dia? Ótimo dia! Lindo dia.. Dia incrível! - falou rápido e eu ri. 
- Que bom humor é esse? 
- Você é o motivo do meu bom humor.. - riu. - Você me beijou e eu voltei do espaço, com poeira da lua nos sapatosssss.. - cantarolou. 
- Senhor astronauta mais lindo! - zoei e ele riu. 
- Você não vai cortar meu barato não, viu? Nem meu bom humor.. - fez careta. 
- Aproveita seu bom humor então, e vamos passear! Hoje seu filho não tem aula, vamos passar o dia com ele. Vai tomar banho. 
- Por que não vem comigo? 
- Vai indo que já vou.. - ri. 
- Vem mesmo? 
- Vou! Vou separar nossas roupas aí to indo.. - Tem roupa minha aqui ainda? 
- Claro! Muitas ainda. - ri. - Vai logo pra esse banho. - Mandei e ele concordou indo para o banheiro enquanto eu separava nossas roupas. Como prometido tomei banho com Luan. Claro que não rolou nada, só umas mãos bobas dele. Sai primeiro, me vesti e esperei para que se arrumasse, já que queria fazer uma surpresa pro meu filho. Depois de prontos descemos e encontramos todos tomando café. Minha mãe, meu filho e a babá. 
- Bom dia mamãe!! - Gabriel falou assim que me viu chegando na cozinha. 
- Bom dia bebê! - falei dando um beijo em sua cabeça. - Tem alguém querendo te ver.. 
- Quem? 
- Tcharammmm.. - puxei Luan que estava escondido atrás da parede e meu filho correu para os braços do pai. 
- Que saudade papai! Você dormiu aqui? 
- Dormi! - sorriu. 
- Por que não me chamou pra dormir com vocês? - fez bico. 
- Não ia te acordar filho.. Você já estava dormindo quando o papai chegou! 
- Mas eu queria! 
- Hoje vamos passear muito, que tal? - perguntei. 
- Só nós três? 
- E a vovó, claro.. - falei olhando pra minha mãe que sorria. 
- Ebaaaa!! - pulou do colo do pai e foi até o quarto se arrumar. 
Minha mãe perguntou se havíamos voltado, e eu apenas sorri. Ela ficou muito feliz. Tomamos café juntos e depois fomos decidir nosso roteiro do dia. Luan não podia ir para muitos lugares sozinho, então decidimos coisas básicas. Como cinema, parques reservados e entre outros. 
Luan narrando. 
Era fato que eu estava mais do que feliz. Era como se tudo voltasse aos eixos. Bianca era o meu eixo. Ela era tudo. Depois de tanta insistência de Gabriel, decidimos passar numa sorveteria antes de ir ao cinema. Lá era bem tranquilo, então não haveria problema algum meu segurança não estar junto. Bianca pegou um sorvete enorme, e eu claro comecei a zoa-lá. 
- Como você consegue? - perguntei rindo. 
- A vida é doce, bebê! 
- Eu sei que é.. Mas agora entendi de onde vem a paixão do nosso filho por sorvete. 
- Você quer ou vai ficar me zoando? - perguntou fazendo careta. 
- Eu quero!! Dá um pedaço aí! - ri. Fui em sua direção, mas antes de pegar o sorvete pedi pra sua mãe tirar uma foto nossa sem que Bianca percebesse. Depois que terminamos, fomos para o cinema. Eu precisei entrar pela área de emergência, mas ninguém notou, deixando-me assistir o filme em paz com minha família. Era um filme de desenho, então decidi postar nossa foto, sem que ninguém percebesse. 
"Doce é viver nos olhos dela. Te amo! @blins." 
Bianca me olhou feio por estar mexendo no celular. Apenas ri e guardei no bolso. Passei meu braço por cima de seus ombros. Ela se aconchegou ali. Era tão bom tê-la em meus braços e eu sabia que dessa vez era pra nunca mais sair. 

Sei que ando deixando vocês na mão, mas vocês nem comentam mais.. :( 

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Capítulo 76.

Os olhos de Luan se direcionaram a mim com um brilho estrondoso, pareciam as duas estrelas mais brilhantes da imensidão escura. 
- Manu? - ele perguntou. 
- Sim, Manu! - sorri. - É graças a essa bonequinha aqui que eu consegui forças pra essa cirurgia. 
- Você vem aqui a bastante tempo? 
- Não muito! - dei uma risadinha. - Lorenzo me trouxe aqui logo após a nossa briga. 
- Ah! - ele fez careta. - Me desculpa.. 
- Desculpa pelo quê? Ta tudo bem, Luan! Se tudo não tivesse acontecido como aconteceu, eu não teria conhecido esse lugar incrível e nem essa bonequinha!  - alisei o rosto da bebê que chupava o dedo nos olhando atentamente. 
- Eu sei, mas.. - abaixou a cabeça. 
- Ei, relaxa ta? Esquece isso.. Eu estou bem. 
- Você é tão maravilhosa, sabia? - ele sorriu. 
Luan pegou Manu no colo e ficou brincando com ela. Na verdade, nós dois brincávamos. Qualquer pessoa que passasse ali, acharia que éramos uma família. Quando deu a hora dela dormir, deixamos ela no berço após velar um tempinho seu sono, e fomos ver as outras crianças. Era lindo de ver a felicidade que Luan trouxe pra as crianças, eu nunca tinha visto elas tão felizes. 
- Tia Bia, vocês namoram? - Henrique, uma das crianças perguntou. 
- Nós? É.. - fiquei sem reação. 
- Namoramos sim, Henrique! - Luan sorriu. - Você não acha que tenho uma namorada linda? 
- Tem sim, tio Luan! Tia Bia é muito linda.. Quando eu crescer, quero ser igual a você e ter uma namorada linda assim. - falou e eu fiquei completamente vermelha. 
- Você vai ter cara! Mas, você quer ser cantor? 
- Quero sim, tio Luan! Um cantor igual a você.. 
- O que você acha de irmos até ali na sala e eu tocar violão? 
- Íamos adorar, tio Luan! - falou animado. - Vamos, vamos! - Luan levantou e pegou na minha mão como se quisesse me chamar para ir com ele. Levantei rápido e o acompanhei. Ele cantou todas as músicas que as crianças pediam e eu apenas observava de longe. Luan era um cara incrível. Depois de tudo isso, fui desenhar com as meninas, elas adoravam. 
- Tio Luan, vamos pintar? - Bárbara, uma das meninas perguntou para Luan. 
- Vou! Me dá um lápis ai! - falou puxando um banquinho e sentando do lado dela. 
A pequena entregou um papel e uma caneta para Luan e eu voltei a minha atenção ao desenho que pintava, até sentir alguém me cutucando, olhei e era Bárbara, ela me entregou um papel. 
- Foi o tio Luan que mandou. - falou sapeca e saiu. Abri o bilhete e fiquei completamente sem jeito.
Olhei para Luan que me olhava sorrindo feito bobo. Apenas balancei a cabeça sorrindo, guardei o papel no bolso e continuei desenhando com as crianças. 
(...)  
Alguns dias se passaram e a minha relação com Luan estava melhor do que nunca. Ele me ligava todos os dias. Na sua ultima folga de três dias, ele foi no orfanato. Assim como eu, estava apaixonado por Manu, e não parava de falar nela. 
- O que você ta fazendo? - me perguntou pela milésima vez no telefone enquanto eu tirava os sapatos. 
- Acabei de chegar em casa agora! Quero tomar banho, será que o senhor poderia deixar? - dei risada. 
- Ah nãooooo!! - falou manhoso. 
- Luan, é sério! Eu to cansada do trabalho, eu te ligo assim que eu terminar o banho, pode ser? 
- Ta bom! - riu. - Vou esperar, ta? 
- Pode esperar, eu ligo! - ri. - Beijos! 
- Beijos na boca. - falou rápido e desligou. Ri do deu atrevimento e fui tomar banho. Eu estava pensando se perdoaria Luan e finalmente ficaríamos bem. Um lado meu implorava por ele, e outro lado ainda tinha medo. Eu havia conversado com a minha mãe a respeito e ela dava todo o apoio para nossa reconciliação. Sai do banho, coloquei um pijama e me joguei em baixo das cobertas. Fazia muito frio. Peguei meu celular e fui ligar de volta para Luan quando seu nome apareceu na tela. 
- Estava indo te ligar agora.. - ri. 
- Ta frio demais aqui fora, você podia abrir pra mim né? 
- Aqui fora aonde? Luan, você ta aqui? 
- To na sua porta, abre logo!! - falou e eu desci correndo sem fazer barulho já que todos na casa dormiam. 
- Seu doido!! O que faz aqui? - perguntei assim que abri a porta. 
- Eu preciso conversar com você e estava com saudade! - riu. - posso entrar? 
- Pode! Mas não faz barulho, seu filho e minha mãe estão dormindo. - falei e ele concordou. Levei ele para o quarto e ele se jogou na poltrona. 
- Eu amo essa poltrona! - falou se esparramando. 
- Eu sei! - ri. 
- Fizemos muitas coisas aqui né? - falou malicioso e eu joguei uma almofada nele. 
- Cala boca Luaaaan! 
- Ué.. 
- Fala logo o que você quer.. 
- Eu quero você. 
- Luan, é sério.. 
- Eu estou falando sério! Tudo que eu mais quero nessa vida é você. Eu preciso. Bia, eu te amo tanto que chega a doer. 
- Luan.. 
- Bia, volta pra mim! - falou se aproximando. - Não te prometo perfeição, até porque, estou muito longe disso, mas te prometo o meu melhor - colocou uma mecha do meu cabelo atrás da orelha. - te prometo minha parte boa, minha parte que te ama. - falou centímetros do meu rosto e eu apenas ouvia, sem dizer nada. Eu queria beija-lo e assim fiz. Beijei-o com todo amor que havia em meu coração, fazendo-o sentir isso. Quando terminamos ele me olhou com um sorriso sapeca. 
- Isso foi um sim? - perguntou com as nossas testas coladas. 
- Todo mundo precisa de um ponto final para poder começar um novo parágrafo. Boa sorte para nós dois. 

Amores, estou em semana de gincana e doente.. Nem ia postar hoje, mas consegui escrever isso aí! Me perdoem se estiver ruim. Beijocas. 

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Capítulo 75.

Olhei nos olhos de Luan, e eles expressavam sinceridade. Eu sabia que ele me amava, mas não sabia demonstrar, quem  sabe com um gesto de cuidado, ele não mude. Eu também, precisava de carinho, eu estava sensível. 
- Ok! - falei derrotada e ele sorriu. - Mas pode tirar esse sorrisinho idiota da cara que eu só vou deixar você ficar aqui. - ele riu. 
- Ok, ok! - levantou as mãos em sinal de rendimento. - Ta marrenta ein? Rapaiz!! 
- Que é? Vai ficar enchendo meu saco mesmo? 
- Não não! - riu. - Mas me fala aí, como você esta se sentindo? 
- Estou me sentindo eu mesma, só que sem meu útero! 
- Mas você está bem? 
- Estou! - sorri sem mostrar os dentes. 
- Está com dor? 
- Por enquanto não.. 
- Vai só ficar me dando essas respostas curtas? - perguntou. 
- Ué.. Que tipo de resposta se dá a essas perguntas além dessas que to dando? Vou falar então "não Luan, não estou com dor.. Ainda bem que estou assim, estou muito grata por não sentir dores.." - falei e ele gargalhou. 
- Ta cheia das respostas hoje.. Deus me livre! Ta aprendendo com quem? 
- Sozinha.. Sabe como é, muitos treinos! - pisquei e ele riu mais. 
A enfermeira apareceu, perguntando se eu estava sentindo dores, neguei e ela avisou que caso precisasse dela era só apertar um botão que havia na cabeceira da cama, ou era para Luan chamá-la. Concordei e ela saiu. Pedi para Luan ligar a tevê e fiquei assistindo, enquanto ele falava no celular próximo da janela. Tentei prestar a atenção na conversa, mas ele falava muito baixo, justamente para que eu não ouvisse. A única vez que consegui entender alguma coisa, foi "não Lelê, nessa folga não vou mais viajar.. Não, vou ficar cuidando da Bianca.. Não, não voltamos - suspirou - Mas eu vou lutar por ela!" Quando ele desligou o celular, fingi que estava prestando a atenção na tevê. 
- E aí, ta com fome? - perguntou. 
- Não! - respondi sem olhá-lo. 
- Mas eu to! Se importa que eu coma aqui? 
- Acho que não pode.. Eu to com sono, vou dormir um pouco, se quiser ir até a cantina comer, pode ir. 
- Tem certeza? - perguntou com receio. 
- Tenho! Pode ir.. - falei, ele assentiu me dando um beijo na testa e saiu. 
Como eu havia dito, estava realmente com sono, ele mal saiu e eu acabei dormindo. 
Luan narrando. 
Bia havia me dito que eu podia sair que ela iria dormir, eu estava com muita fome. Aproveitei a ocasião e fui comer. Não demorei muito ali, até porque não podia dar bobeira de me reconhecerem, se não eu não teria paz. Voltei para o quarto e Bianca ainda dormia. Não queria atrapalhar seu sono, então peguei meu violão que estava ali, e comecei a tocar uma música que eu havia acabado de gravar. Ela era linda, e eu estava encantado. Sabia que se eu tocasse e cantasse bem baixinho, não ia atrapalhar o sono da Bia, afinal, ela sempre me pedia pra cantar antes de dormir. 

Flashback on. 
- Vamos dormir gatinha! - falei enquanto ela terminava de colocar o pijama. 
- Eu não to com sono não.. - fez bico. 
- Credo, ta parecendo o Gabriel! - ri e ela me mostrou a língua. 
- Sabe uma coisa que ia me faria dormir bem? - falou se deitando sob meu peito. 
- O quê? Fazer um amorzinho? 
- Nãoooooo!! Tarado. - revirou os olhos rindo. 
- O que então? 
- Você cantar, assim, no pé do meu ouvido. - falou manhosa se aninhando no meu pescoço. 
- Que neném manhosa, gente.. - dei um beijo em sua cabeça. - Eu canto, qual você quer? 
- Qualquer uma! 
- Deixa eu pensar.. - falei e lembrei de uma música. - Já sei.. Vou começar. 
- Amor, antes que você comece.. Eu quero que saiba que te amo! 
- Eu que te amo! - falei sorrindo e comecei a cantar até ela pegar no sono. 
Flashback off. 

Suspirei ao lembrar desse tempo em que éramos felizes, peguei meu violão e comecei a detalhar as notas. Não queria que Bia acordasse, queria que deu sono fosse melhor. Comecei a cantar "um ser só" e logo ela acordou. 
- Te acordei? - perguntei preocupado. 
- Não! - riu. - Que música é essa? É linda! 
- Gostou? É uma das músicas novas que to investindo! - ri. 
- Linda, muito linda! - sorriu. 
- Você precisa de alguma coisa? 
- Não! - respondeu. - Luan, eu quero te levar a um lugar quando eu sair daqui. 
- Que lugar? - olhei safado e ela riu. 
- Seu besta! É segredo.. Mas, acho que você vai gostar. 
- Qualquer lugar que você me levar eu vou gostar! - sorri. 
- Para! - ficou sem graça. - Não começa! 
- Ué!! - ri. 
- Ué nada. Guarde seus elogios pras outras! 
- Que outras? Não existe outras.. 
- Ahá, duvido! - debochou. 
- Pegue minha mão. - falei mostrando a mão pra ela, que pegou. - meu coração e minha alma, pertencem a você. Eu só tenho olhos para você. - olhei em seus olhos e ela desviou. 
- Acho melhor você descansar.. Espero ter alta amanhã! - mudou de assunto. 
- Muda de assunto mesmo! Me ignora, manda embora, traz de volta e eu não tomo vergonha na cara.. Eu te amo e assumo, pois você também não vale nadaaa.. - cantarolei e ela riu. 
- Idiota! - revirou os olhos. 
(...) 
Bianca narrando.
Alguns dias se passaram e eu já estava recuperada, não cem por cento, mas já podia sair de casa. Como havia prometido a Luan, eu iria levá-lo a um lugar. No dia do hospital, eu havia sonhado com aquilo, e tudo parecia tão lindo no sonho, que precisava tornar real. Luan passou em casa logo depois de deixar Gabriel na escola, e logo fomos para o lugar. Ensinei o caminho pra ele que seguiu direitinho. 
- Aonde é o lugar? - perguntou. 
- É ali! - apontei. 
- Orfanato? 
- Sim! Quero que conheça uma pessoa.. Aliás, uma mini pessoa ainda. - sorri e ele me olhou confuso. 
- Mini pessoa? 
- É Luan, para de pergunta e desce logo. - ri e ele desceu. 
Entramos no orfanato, e logo a paz me consumiu, era tão bom estar ali. Falei com Gloria que ficou super feliz ao ver Luan ali. Pedi para que me levasse ao quarto das meninas, e ela logo entendeu quem eu queria ver. Cheguei até o berço que queria e peguei a bebê no colo. 
- Luan, quero que você conheça a Manu! 

Gente, perdoem-me pela demora e pelo tamanho.. Essas semanas foram corridissimas e semana que vem será pior, então, tenham paciência! Minha inspiração não vem, e ta complicado, rs. Comentem, beijo. 

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Capítulo 74.

Acordei novamente e o relógio já indicava que se eu dormisse mais um pouco, não ia trabalhar. Levantei num pulo, fui até o banheiro, tomei banho e me arrumei super rápido. Quando estava descendo as pressas minha mãe me parou na ponta da escada. 
- Minha filha! Já estava preocupada.. Você não é de dormir até essa hora. - minha mãe falou. 
- Desculpa, mamãe! Hoje eu decidi que dormiria mais um pouco, eu estava cansada. 
- Você dormiu mal? 
- Não! Eu só estou cheia de coisa no trabalho e estou cansada! - fiz careta. - E ainda tinha as mensagem do Lu.. - falei e ela me olhou sorrindo. 
- Vocês se acertaram? - me interrompeu. 
- Não! Ele que me mandou mensagens.. Mas ignorei todas. - dei de ombros indo até a cozinha. 
- Como assim? Bia, ele está arrependido.. - falou vindo atrás de mim. 
- Mamãe, você está do lado de quem? 
- Do lado de ninguém, mas eu gosto do Luan.. Queria te-lo como genro! 
- O Luan errou comigo, mamãe.. 
- Eu sei! Mas todo mundo erra, filha.. 
- Por que você não namora ele? Já que gosta tanto dele assim.. 
- Bianca! - me repreendeu. - Olha as coisas que você fala! 
- Ué.. 
- Ué nada! - falou irritada. - Vê se almoça antes de ir trabalhar. - saiu. 
Almocei sozinha, na verdade engoli a comida, porque nunca havia comido tão rápido assim na minha vida. Cheguei correndo no trabalho, precisava agilizar todo meu trabalho pra não deixar Pietro e Carla sobrecarregados. 
(...) 
Os dias se passaram e o dia da minha cirurgia havia chegado. Eu estava com medo, e era nítido isso. Minha mãe ficaria no hospital comigo, já que só ficaria dois dias pós cirurgia. 
- To com medo! - falei na recepção do hospital, enquanto fazia minha ficha de internação. 
- Vai dar tudo certo meu anjo.. - minha mãe alisou meu rosto.
- Eu sei que vai, mas mamãe.. - fiz bico. 
- Até parece uma criança birrenta! - minha mãe riu. 
Depois da ficha pronta, fui encaminhada para o quarto. Odiava hospital com todas as minhas forças. Me instalei no quarto, e fiquei vendo tevê enquanto esperava o médico vir me chamar pra cirurgia. 
- Lorenzo ligou.. - minha mãe comentou. 
- Ele já ligou vinte e nove vezes, Deus me livre! - brinquei e ela riu. 
- Ele quer vir dormir com você essa noite.. 
- Se você preferir, mamãe.. Por mim tudo bem! 
- Queria ficar. - fez bico. - Mas não quero deixar o Gabriel tanto tempo assim com a babá. 
- Ia falar isso agora, seria melhor de você fosse ficar com ele, mamãe. - disse. 
- Eu fico até umas nove, e aí depois Lorenzo vem e dorme. 
- Isso!! - sorri. 
Doutor Miguel, que faria minha cirurgia apareceu no quarto, e avisou que os procedimentos pré-cirurgia já iriam começar. Nessa hora o medo tomou conta de mim, eu sabia que não era uma cirurgia de risco mas, meu coração estava na mão. Uma enfermeira muito bonita entrou no quarto e me aplicou anestesia, só lembro de ouvir minha mãe dizer "Deus está contido minha filha." E aí, apaguei. 
Luan narrando. 
O dia da cirurgia da Bianca havia chegado, e eu estava com o maior ódio do mundo de mim mesmo, por ter feito as burradas que fiz e não estar ao lado dela. Mas eu não iria decidir, e estava na hora de colocar a segunda parte do meu "plano" em ação, peguei meu celular, liguei pra mãe da Bianca, que super me ajudou. Depois de conversar com ela, desci almoçar com meus pais. 
- Você sabe da Bia, Luan? - minha irmã perguntou. 
- Ela está na sala de cirurgia agora. - comentei colocando comida no prato. 
- Que Deus esteja com ela! - minha mãe disse. 
- Ele está, mãe! - sorri. 
- Vocês vão voltar, Pi? - Bruna perguntou novamente. 
- Claro que sim, Bruna! Bom, eu espero.. - sorri fraco. - Quero me casar com a Bia, quero fazer tudo diferente dessa vez, sabe? 
- Sei!! - falou feliz e todos na mesa sorriram. - Vocês dois são tão lindos. 
- Obrigado, irmazinha! - apertei sua bochecha e ela fez careta. 
Terminei de almoçar, subi me trocar, estava na hora de me trocar, e ir para o hospital. Passei meu melhor perfume, peguei o buquê que Bruna havia comprado, com a flor favorita da Bia e sai rezando pra que tudo desse certo. Em menos de meia hora já estava na recepção. 
- Luan!! - minha sogra falou. 
- Oi, helena! Tudo bem? 
- Tudo! - ela sorriu. - A Bia está na sala pós-cirurgia. Está sedada ainda, então, tenha paciência! - rimos. 
- Eu terei. Posso esperar ela lá no quarto? 
- Pode sim, querido! Mas óh, vai com calma, tá? 
- Pode deixar! - sorri e fui para o quarto esperá-la. 
Em alguns minutos, a trouxeram, ela ainda dormia. Fiquei ali, velando seu sono. Eu era apaixonado por aquela mulher. 
Bianca narrando. 
Fui despertando lentamente, abri meus olhos com calma e percebi que já estava no quarto. "Passei" os olhos pelo quarto e notei que havia alguém de costa ali, olhando para a janela. Comecei a reparar mais e notei que era Luan. 
- Lu-uan? - chamei com certa dificuldade. 
- Oi minha linda. Você acordou! - falou sorrindo e vindo em minha direção. 
- O que você ta fazendo aqui? 
- Eu.. Am.. Eu vim te ver! - abaixou a cabeça sem graça. - Ah, eu trouxe flores! As que você mais gosta. 
- Obrigada! - sorri fraco. - Cade minha mãe? 
- Sua mãe foi embora cuidar do Gabriel, vou ficar aqui com você.. 
- E o Lorenzo? 
- Troquei com ele, fico hoje e ele vem amanhã! 
- Luan, olha.. Não preci.. - ia falar e ele me interrompeu. 
- Quero cuidar de você hoje.. - ele sorriu. 
- Luan.. 
- Bia, por favor? Me deixa cuidar de você.. Eu juro que é só cuidar.. 

Quanto mais comentários, mais rápido será o próximo capítulo! Beijos amores. 

sábado, 25 de abril de 2015

Capítulo 73.

Indicando amores! 

Luan não falou nada e apenas saiu. Ele sabia que estava errado, e não tinha argumentos para se defender. Eu não gostava de ser fria, mas ele estava me deixando daquela maneira. Por um lado era bom, talvez assim ele aprendesse a me dar mais valor. Me livrei de meus pensamentos e terminei de me arrumar. Precisava conquistar muitos clientes naquela confraternização, afinal cabeça vazia não é bom pra ninguém. Deixei um bilhete para minha mãe e Gabriel, que haviam saído para comprar lanche e sai.
Luan narrando. 
Eu era a pessoa mais idiota do mundo, sem dúvidas. Tinha uma mulher perfeita e eu só a deixava escorrer pelos meus dedos. Eu a magoava pelo simples fato de pensar só em mim. Após sair de sua casa, decidi caminhar um pouco sozinho, precisava pensar. Pensar numa maneira de me redimir de tudo que já fiz pra ela. Fui até o lago do meu condomínio, lá seria o melhor lugar para pensar sem ser atrapalhado, já que a vizinhança já estava acostumada comigo. Sentei no gramado e fiquei olhando para o lago. As palavras de Bia não saiam da minha cabeça. 
"Você foi tão sujo. Tão egoísta, manipulador e estrategista. E eu gosto tanto de você. Tanto. Mas você não merece."
"Você fez com que eu me sentisse usada, sozinha e idiota. E isso não é o certo… Porque a idiota da história não sou eu. É você." 
"Eu te amo e você me ama, mas o nosso amor não é o suficiente para nos unir. Precisamos de algo que ainda não temos, e talvez nunca venhamos a ter. Preciso ser minha antes de ser sua, e você precisa ser seu antes de ser meu." 
Eu sabia que ela tinha razão, mas eu não abriria mão dela, nem se ela me pedisse. Nossa história começou de maneira diferente, e não pode acabar assim. Eu tinha que dar um jeito. E foi aí que então eu decidi que mudaria, não por mim, mas pela Bia! Mudaria pra mostrar que o meu amor por ela é maior do que qualquer coisa e que ela era a pessoa mais importante pra mim. 
Bianca narrando. 
Acordei com uma dor de cabeça absurda. Talvez tenha sido o vinho. Na confraternização, acho que exagerei na dose, já que precisava esquecer dos meus problemas. Não cheguei a ficar bêbada, mas bebi o suficiente pra ter dor de cabeça. Levantei devagar, tomei um banho demorado, me arrumei e desci. Minha mãe e Gabriel tomavam café e conversavam animadamente. 
- Bom dia, mamãeeeeee! - Gabriel falou alto e minha cabeça latejou. 
- Bom dia, bebê! Só não grita.. - falei baixo e dei um beijo em sua testa.
- Bebeu demais ontem, né senhorita? - minha mãe brincou. 
- Não muito.. Mas to de ressaca! - fiz careta e ela riu. 
- Quer remédio? 
- Não! Tomei um já.. Obrigada, mamãe. - sorri. Tomamos café tranqüilamente e eu fui para o trabalho.. Como sempre foi uma correria, mas graças a Deus a confraternização me trouxe vários clientes, além da ressaca. Estava revirando uma projetos na minha mesa com Pietro, quando meu celular apitou. Era uma mensagem. 
"Como vai você? Eu preciso saber da sua vida.." 
Li e decidi não responder. Guardei meu celular na bolsa e continuei trabalhando. 
- Sua cirurgia vai ser quando, Bia? - Pietro perguntou. 
- Daqui alguns dias.. 
- Ué, que rápido! 
- Pois é.. Ter um quase irmão médico, tem suas vantagens! - rimos. 
- Sabia que tinha dedo do Lorenzo nessa rapidez! Fui levar minha mãe no médico esses dias, mesmo com plano de saúde tem lista de espera.. 
- Então.. Saúde nessa país está cada dia pior! 
- Ainda bem que escolhemos engenharia e não medicina! - brincou e eu ri. 
- Ainda bem mesmo! 
Continuamos trabalhando até o final do dia. Cheguei em casa e fui recepcionada pelo meu filho. Ele me deu um abraço tão forte que chegou a doer minhas costelas.. Apertei ele mais ainda e depois fui falar com minha mãe. Fiquei conversando com ela, até Lara vir nos avisar que o jantar estava pronto.
- Voltei pra academia! - minha mãe comentou. 
- To pensando em voltar também.. Mas com essa falta de tempo, ta cada dia mais impossível!! 
- Tem bastante coisa pra fazer no escritório? 
- Tem!! Preciso ocupar minha cabeça, mamãe. 
- Você precisa parar um pouco, filha! Trabalho demais não faz bem! Aliás, tudo demais não faz, até mesmo amor demais. 
- Eu sei disso! Mas preciso substituir amor demais por trabalho demais.. - fiz careta. 
- Você já arrumou alguém pra ficar lá no seu trabalho enquanto você se recupera da cirurgia? 
- Sim! Pietro vai ficar, junto com a nossa ajudante.. Acho que os dois dão conta! 
- Tudo bem! - sorriu. 
Terminamos de jantar, e eu ajudei com a louça.. Subi pro meu quarto, tomei um banho, e me troquei. Quando terminava de secar meus cabelos meu celular apitou, era outra mensagem do Luan. 
"Peço alguém pra me contar sobre o seu dia.. Anoiteceu e preciso só saber, como vai você?" 
Eu não estava entendendo aquelas mensagens, e nem queria entender. Bloqueei o celular, deitei na cama e de tão cansada que estava, apaguei. Acordei de madrugada com meu celular apitando de novo, dessa vez eram duas mensagens. 
"Como vai você? Que já modificou a minha vida. Razão de minha paz já esquecida.
Nem sei se gosto mais de mim ou de você."
"Vem que a sede de te amar me faz melhor. Eu quero amanhecer ao seu redor. Preciso tanto me fazer feliz." 
Aquilo era uma música, do Roberto Carlos.. Antiga pra caramba.. Eu só não estava entendendo o porquê daquilo. Precisava dar um gelo nele e continuei sem responder. Bloqueei o celular novamente e dormi. Acordei só no dia seguinte, um pouco atrasada. Eu me sentia cansada, precisava dormir mais. Virei de lado e decidi que só iria trabalhar depois do almoço. Peguei meu celular para avisar pietro, e lá estava, mais uma mensagem. 
"Vem que tempo pode afastar nos dois. Não deixe tanta vida pra depois. Eu só preciso saber.. Como vai você? ❤️" 
Pelo visto era a ultima.. Mesmo sendo uma música, ela mexeu comigo. A letra era tão antiga, e tão linda. Era um exemplo de romantismo. Mas eu estava magoada, não ia me deixar levar por algumas mensagens. Ignorei e liguei para Pietro avisando que só iria trabalhar depois do meio-dia e voltei a dormir. 

Capítulo não saiu como eu queria, mass.. Foi isso que deu! Hahahahah cirurgia da Bianquinha ta chegando e o Luan decidiu mudar por ela.. O que será que vai dar ein? Vocês sumiram de novo nos comentários :( comentem! Beijo. 

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Capítulo 72.

- Sim ué!! - deu de ombros. - Vamos descer ou não? 
- Não sei! - falei com receio. - Nunca visitei um orfanato antes.. 
- Ué.. Não é preciso manual de instrução não! - riu. 
- Eu sei.. Mas.. 
- Vamos, vai pequenina? - fez bico. 
- Ta bom, vamos! - falei derrotada e soltei meu cinto. Abri a porta e desci. Lorenzo pegou minha mão e me puxou para dentro do lugar. Era grande, parecia com aqueles casarões. 
- Olá! - uma senhora que aparentava ter uns quarenta e poucos anos disse simpática. 
- Oi Glorinha! - Lorenzo disse a abraçando. - Essa aqui é a Bia, a que te falei hoje cedo. 
- Oi! - falei tímida e ela me abraçou. 
- Oi querida! Meu nome é Glória.. É um prazer te conhecer. 
- Prazer é meu! - sorri. 
- Então.. Você quer conhecer as crianças? 
- Claro! - respondi animada. 
- Você prefere ver bebês ou maiorzinhos? 
- Acho que bebês primeiro! - sorri. 
- Então venha! - nos acompanhou até um lugar, que parecia mais um quarto. Haviam uns dez berços ali. Ela começou a nos mostrar, era o quarto de meninos. 
- Que coisa mais linda! - falei encantada. - Eles já tem nome? 
- Alguns são entregues com nomes, outros nós colocamos.. Mas nem sempre deixamos eles com o nome que vêm. 
- Olha esse, Bibi! Lembra muito o Biel quando era bebê, né? - Lorenzo comentou. 
- Lembra mesmo! - respondi passando a mão no rosto do bebê que segundo Glória, também chamava Gabriel. Continuamos olhando eles, e eu ficava encantada por eles. - Como vocês mantêm aqui? 
- Com doações! Doações bem generosas! Por isso as crianças vivem bem.. Digo, existem lugares piores, entende? 
- E essas doações vem de onde? - perguntei e Lorenzo levantou a mão fazendo Glória rir. 
- Seu amigo aí é um doador.. Um grande doador! Não só com dinheiro, mas também com seu trabalho.. Ele é o médico das crianças. - falou e eu sorri orgulhosa. 
- Por que você nunca me contou? 
- Ah, você nunca se interessou.. - deu de ombros. 
- Mas.. Aí, Lorenzo! - ri. 
- Você quer ver as meninas agora? 
- Quero!! - respondi animada. Ela sorriu e me levou até ao quarto ao lado, havia berços da mesma maneira que o outro, mas eram rosas. Fiquei olhando as bebês e meu coração se apertou. Como alguém que podia gerar uma criança cheia de saúde, pudera abandona-lá? E eu aqui, sofrendo por não poder mais ser mãe. O que estava sentindo não era bem tristeza, era dor. Aquilo doía, e não é um eufemismo. Doía como uma surra. Meus olhos "andaram" pelo quarto até parar em um berço. Caminhei lentamente até ele, e havia uma criança linda. Ela era diferente de todas, nela havia uma coisa, que eu não sabia descrever bem o que era. Ela dormia como um anjo. 
Fiquei admirando-a e fazendo carinho em seu rosto. Ela era uma princesinha. 
- Ela é linda, né? - Glória perguntou. 
- Estou apaixonada! É a bebê mais linda que já vi! 
- Ela é uma bonequinha mesmo! 
- Qual o nome dela? 
- Deixe-me ver aqui na pulseirinha.. - pegou seu bracinho. - É Manuela! 
- Ma-Manuela? 
- Sim! 
- Aí minha nossa! - falei olhando para Lorenzo que sorria. 
- A Bia adora esse nome, Glorinha! - Lorenzo comentou. 
- Sério? 
- Sim! É.. Vamos ver as crianças maiores? 
- Vamos sim! - sorriu.
Fomos conhecer as crianças maiores, ficamos ali o dia todo. Lorenzo brincou com os meninos de vídeo-game e eu brinquei de casinha com as meninas. Passei uma tarde realmente agradável. Eu consegui esquecer dos meus problemas ali, e isso me fez bem. No final dia fomos embora. Pegamos Gabriel na escola e contamos tudo a ele, que ficou ansioso pra conhecer o orfanato. 
- O que vocês acham de uma janta super especial hoje? - Lorenzo sugeriu. 
- Hummmm!! O que tio Lorenzo? 
- Você escolhe, Biel! 
- Já até sei! - comentei rindo.
- Lasanhaaaaaaaa!! - Gabriel falou animado. 
- Então o tio fará lasanha, só vamos passar aqui no mercado! - falou e concordamos. Paramos no mercado e Gabriel já foi logo pedindo todas as porcarias possíveis, já que sabia que o tio faria todas as suas vontades. Comecei a me sentir cansada e então Gabriel deu a ideia para que eu entrasse dentro do carrinho. Eu decidi brincar com ele e entrei. Ele ficou "dirigindo" o carrinho comigo dentro e foi uma farra só. As pessoas achavam que éramos loucos, mas eu nem ligava, eu estava precisando aquele momento, estava precisando de um pouco de alegria. Lorenzo pagou a conta e fomos pra minha casa. Como estava me sentindo muito exausta, fiquei deitada no sofá e Lorenzo foi cozinhar com a minha mãe, enquanto Lara foi dar banho em Gabriel. Fiquei mexendo no celular até encontrar uma foto no instagram de Lorenzo. 
"Acho que a compra do Gabriel não vai sair muito barata não!! Hahahahaha @blins" 
Curti a foto e decidi tirar um cochilo que logo foi interrompido por eles me chamando para jantar.. 
(...) 
Quatro dias se passaram desde o dia em que tudo aconteceu. Minha vida ia correndo bem, na medida do possível. Já havia marcado a data da minha cirurgia e com a ajuda da minha mãe e de Lorenzo, estava aceitando mais a ideia. Desde então, não parei mais de sonhar com a pequena Manuela do orfanato, o jeito que eu olhei pra ela foi diferente dos outros, mas eu não sabia bem o que era. Estava sozinha em casa, terminando de me trocar pois ia a uma confraternização do trabalho, quando minha campainha tocou. Desci rápido para atender.
- Luan? - falei espantada ao vê-lo ali. 
- Oi Bia.. Hã.. Podemos conversar? 
- Olha, eu acho.. 
- Bia, por favor! - pediu e eu concordei. 
- Vamos para o meu quarto, lá vai ser melhor. - falei e ele assentiu vindo atrás de mim. - Pode falar.. 
- Bia.. Eu nem sei por onde começar! 
- Acho que do começo seria uma ótima! - falei irônica me sentando na cama. 
- Não me trata assim, droga!! Eu sei que fui um idiota mas entende meu lado! 
- Entender seu lado? Eu sempre entendi seu lado! Sempre.. 
- Bia.. 
- Você foi tão sujo. Tão egoísta, manipulador e estrategista. E eu gosto tanto de você. Tanto. Mas você não merece. Você não pensou em mim, nem por um minuto, nem só por pensar. Você não se importou comigo e eu me importo tanto com você. Isso não é justo. Você foi embora e levou toda a graça do mundo junto contigo. O planeta inteiro se transformou numa grande droga simplesmente porque você não está mais comigo. E você não voltava, cara. O mundo está caindo sobre minha cabeça e você não deu sequer um passo em minha direção. Você fez com que eu me sentisse usada, sozinha e idiota. E isso não é o certo… Porque a idiota da história não sou eu. É você. E você não merece que eu me sinta vazia só porque você decidiu esquecer da gente. 
- Eu não esqueci da gente!! Eu só precisava de um tempo.. Pra pensar! Não fala essas coisas, assim você me magoa. 
- Você me magoa a todo momento, Luan! Mas isso você não percebe né? 
- Me desculpa.. 
- Ta, Luan! Era só isso? 
- Bia, por favor.. Vamos ficar numa boa! Eu pensei e vi que ser pai não é a coisa mais importante pra mim, afinal você já me deu um filho. Me desculpa por agir daquela maneira, por não entender seu lado, por não pensar em você. Volta pra mim! Eu te amo mais do que a mim mesmo!! 
- Luan.. Não adianta ficarmos nesse vai e não volta, nessa indecisão de uma certeza, na negação de uma vontade. Eu te amo e você me ama, mas o nosso amor não é o suficiente para nos unir. Precisamos de algo que ainda não temos, e talvez nunca venhamos a ter. Preciso ser minha antes de ser sua, e você precisa ser seu antes de ser meu. Preciso me respeitar antes de te respeitar. Preciso saber meus limites, antes de entrega-los a você. Eu preciso pensar! Mas não me venha com músicas baratas, tentando me "ganhar" porque dessa vez não vai rolar. Agora as você me der licença, tenho um compromisso e não posso me atrasar. 

Xiiiiiii.. Luanzinho se deu mal!! Eai, será que agora ele acorda pra vida? Comentem amores! 

Capítulo 71.

Depois de conversar bastante com a minha mãe, acabei pegando no sono. Mas não demorou muito para acordar e perder o mesmo. Olhei para o relógio ao lado da cama e apontavam três da manhã. Fiquei encarando o teto até as lembranças começarem a me perseguir.

Flashback on. 
Estávamos completando dois anos de namoro, eu e Luan iríamos sair, pra jantar só nós dois. Me arrumei e fui até a casa de seus pais para esperá-lo e deixar meu filho. 
- Oi querida! - Mari atendeu com aquele jeito materno dela. 
- Oi Mari! - sorri e a abracei. Gabriel cumprimentou ela e saiu correndo para os braços do avô.
- Assim fico com ciúmes! - ela reclamou enquanto eu entrava me fazendo rir. 
- Você tem a mim, Mari! Não tenha ciúmes! - brinquei dando um abraço nela que riu. - Cade o Luan? 
- O Luan saiu, Bia! Disse que precisava fazer umas coisas com Roberval! Mas ele saiu faz um tempão já! Vocês iam sair? - Amarildo disse após me cumprimentar. 
- Íamos sim! - fiz careta. - Dois anos de namoro hoje! 
- Sério? Ah, então já já ele está aí! - falou e eu concordei. Após duas horas, quando já estava indo embora, Luan apareceu, mais bêbado que o normal. 
- Oi amorrrrrrrrrr!! - falou vindo em minha direção e tentando me beijar. 
- Oi Luan, aonde você estava? - perguntei desviando do seu beijo e o segurando para que não caísse. 
- Fui lá no Rober.. - falou meio embolado. - Você ta cheirosa amor, ta bonita também.. Vai aonde? 
- Eu ia sair com você, né? Esqueceu que hoje é aniversário de namoro? 
- Ah é! Parabéns pra genteeeee. - falou tentando me beijar de novo e eu desviei. - Poxa amorrrrrr, me da um beijo! 
- Luan vamos subir, você tem que tomar um banho frio e dormir.. - falei decepcionada puxando-o para o andar de cima. Seus pais assistiam tudo em silêncio. Quando chegamos no quarto, ajudei ele a tirar a roupa, e deixei-o embaixo do chuveiro. Sentei na cama e olhei para o teto segurando as lágrimas. Como ele pode estragar tanto as coisas? 
- Biaaaaaa!! - ele gritou do banheiro e eu fui socorrer ele, limpando as lágrimas que acabaram escorrendo. 
- To aqui! - falei fechando o chuveiro e entregando uma toalha a ele. 
- Você tava chorando, amor? Não chora não.. 
- Não to chorando, Luan! Vem! Coloca essa cueca. - entreguei a cueca a ele e o ajudei a ir até a cama. Quando finalmente achei que ele estava dormindo, fui saindo de fininho, mas ele me chamou. 
- Deita aqui comigo, amor.. - falou manhoso. 
- Eu vou pra casa! 
- Vem, por favor! - falou e eu fui. Deitei ao seu lado e ele me puxou para seu peito dormindo profundamente em seguida. Não sabia porque era tão idiota, mas chorei a noite inteira, sem deixar ele perceber. 
Flashback off. 

Eu era tão submissa a ele, que chegava a ser ridículo. Sempre agüentei todas as cagadas do Luan, e me mantive ao seu lado. Quando ele mais precisou de mim, eu também estava ao seu lado. Agüentei uma "quase" traição, e ainda fiquei com ele, pra ele me deixar quando eu mais preciso dele. 

Flashback on. 
Acordei meio ruim. Estava com um pouco de febre e passei o dia todo na cama. Havia marcado de ir ao cinema com o Luan, mas eu realmente não ia aguentar sair de casa. Peguei meu celular e liguei pra ele. 
- Amor? - ele atendeu. - Você já está pronta? 
- Amor.. Não vou conseguir ir! Eu não to muito.. 
- Como não? Estamos planejando esse cinema faz semanas.. - falou me interrompendo. - faz tempo que não tenho uma folga! 
- Eu sei é que.. 
- Tudo bem, esquece! - falou chateado.
- Não.. Amor! Olha, me dá vinte minutos que já fico pronta. 
- Ok! Te amo. - falou e desligou. 
Mesmo sem forças, doente, me sentindo muito mal eu levantei da cama, tomei um banho e coloquei meu melhor sorriso, tudo pra agradar meu namorado. 
Flashback off. 
Meus pensamentos foram interrompidos por meu celular tocando. Era Lorenzo. 
- Como você sabia que eu estava acordada? - atendi. 
- Eu sempre sei! - riu. - Mentira! Estou num plantão, e o hospital está vazio.. 
- Que milagre!! Um hospital vazio quase quatro da manhã.. 
- Isso é estranho mesmo! - ele riu. - Você está bem? 
- Uhum! - respondi rápido me lembrando de que não havia contado nada a ele. 
- Uhum?? Se eu não te conhecesse, diria que você está mentindo pra mim!  
- Antes de qualquer coisa, me desculpa! - falei 
- Ué, mas por quê? 
- Porque sou a pior amiga do mundo! - falei triste. -Aconteceram algumas coisas que eu não te contei.. 
- O que? - perguntou preocupado e eu lhe contei toda a história. Ele ficou em silêncio. 
- Lorenzo? 
- Oi! Desculpa! Hã.. Vamos sair amanhã!  
- O quê? Você acabou de ouvir o que eu disse? Eu não estou bem.. 
- Eu ouvi e sei disso, mas você vai sair comigo amanhã e eu nem quero saber.. Quero você pronta depois do almoço, beijo te amo! - falou e desligou, sem me dar chance de responder. 
Lorenzo e seu jeito louco. Acabei rindo. Depois de um tempo o sono voltou e eu acabei dormindo, mas dessa vez até o meio dia. 
(...) 
- Pra variar, atrasada! - Lorenzo falou entrando em casa e se jogando no sofá. 
- Eu acabei de acordar.. - me defendi. - Só falta colocar roupa! 
- Isso eu percebi! - apontou para o meu roupão. - Gosto de te ver assim.. - falou e eu mostrei o dedo do meio. 
- Idiota! - ri. - Minha mãe está aí, vai falar com ela enquanto me troco! - falei e ele concordou. 
Me arrumei o mais rápido que consegui e em menos de vinte minutos já estava pronta. Deixamos Gabriel na escola, e Lorenzo me levou a uma sorveteria. 
- Sorveteria? - perguntei confusa. 
- Eu to com vontade de tomar sorvete de creme com muito caramelo! Você topa? 
- Nossa, Lo! Não tomo isso desde quando éramos pequenos. 
- Pois é, eu também! - ele riu. Saímos do carro, e fomos até a sorveteria. Chegando lá fizemos nossos pedidos e nos lambuzamos de tanto sorvete. 
- Estamos parecendo duas crianças! - comentei me limpando. 
- Eu sei! - ele riu. - Mas eu não ligo! Só tenho que me limpar, porque temos um lugar pra ir ainda! 
- Aonde vamos? 
- Surpresaaaa!! 
- Você sabe que eu.. 
- Odeia surpresa! - me cortou. - Mas eu não ligo! - riu. - Vamos.. 
- Vamos! Mas vamos tirar uma foto! - falei e ele concordou. Tiramos a foto, pagamos a conta e voltamos para o carro. No caminho fui postando nossa foto. 
"Feliz dia do sorvete de creme com caramelo!! Te amo, melhor do mundo! @lorenzobernardi" 
Depois de algumas horas no carro finalmente Lorenzo parou o carro. 
- Chegamos!! - falou animado. 
- Chegamos aonde? 
- Ali oh? - apontou para um casarão todo colorido, aonde havia uma enorme placa. 
- Orfanato, Lorenzo? 

Orfanato?? O que vai acontecer ein? Comentem! ❤️